Blog-dos-ventos

terça-feira, fevereiro 01, 2005

O Filipe e a evolução

Eu tenho um filho de três meses, o Filipe.
Ele me faz questionar se a espécie humana passa por um surto de aceleração neural. O gurizinho parece ter uma vivacidade maior do que os bebês de dez anos atrás. Não admite olhar o mundo por cima do ombro. Colo pra ele é assim: ZIP, uma braço vira assento; ZAP, o outro é um cinto de segurança. Cabeça encostada no meu peito, caminhamos olhando na mesma direção. A família toda se diverte muito com ele e com o seu cabelo estilo Johnny Bravo. Sim, porque existe, também, um componente capilar no arranco evolutivo. Mais que cabeludo, o pirralho é desgrenhado. No todo, compõe uma figura muito simpática.
[...]
A mãe do Filipe também parece estar passando por alterações comportamentais curiosas. Ontem, passeávamos em um shopping da cidade. Lado a lado. Eu, de cabelo recém-cortado e óculos novo. Noto que as mulheres, de todas as belezas e quase todas as idades, que cruzavam por mim tinham a atenção presa. Faces iluminadas por sorrisos esguedelhados foi coisa corriqueira. Percebi até alguns suspiros. E a minha esposa ali, do lado, impassível. Parecia mesmo estar se divertindo com a situação. Para mim, incompreensível. Evolução? Subi o elevador pensando nisso: "Vai entender as mulheres". Sem encontrar explicação plausível, passei o Filipe para o colo dela, abri o carro e tomei posição ao volante. Quando o telefone tocou, como por instinto, atendi: "Alô! É Bond, James Bond!".