Em busca do gral

Foto: A. Guerreiro
Sempre desconfiei ser verdade: oitenta e oito vírgula quarenta e três por cento das pessoas que defendem uma tese baseada em coleta de dados já têm as conclusões prontas antes de iniciarem o trabalho. Tudo que fazem é jogar-se com sofreguidão na busca dos dados que as confirmem. Em prazos extremos, podem chegar a torturá-los, até eles confessarem a inferência. Lembrei disso quando conheci uma história que ilustra muito bem a forma como a estatística pode ser utilizada de forma maliciosa. Um professor da matéria, para demonstrar essa possibilidade de manipulação, enviou 1.000 formulários para pessoas escolhidas aleatoriamente. Eles continham uma única pergunta: "Você costuma responder todos os questionários que lhe são enviados pelo correio?" Recebeu um retorno de 58 formulários. Desses, 56 continham um sim, costumavam responder todos. Inferência marota: 96,55% das pessoas (56 de 58) respondiam a todos os questionários que lhes caíam nas mãos. Os 942 que não voltaram foram providencialmente "esquecidos".

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