Blog-dos-ventos

sexta-feira, abril 22, 2005

O Papa morreu! Viva o Papa! [Parte II]

Antes de iniciarmos o segundo tempo, escrevo algumas observações sobre o Papa morto.

Os funerais de João Paulo II não têm paralelo na história: nunca alguém foi tão reverenciado. A presença maciça de chefes de estado superou qualquer evento similar de que se tenha notícia. Qual o significado disso? Das duas uma ou ambas: a Igreja vive um momento em que seu poder é maior do que em qualquer época dos últimos tempos ou o pontificado de João Paulo II foi muito marcante.

Aqui começa o curioso da história. Ao longo da agonia de JP II (e também após a sua morte) muitos insistiram em afirmar e reafirmar que a Igreja perdeu poder na gestão do "reacionário" (tomo o adjetivo emprestado dos críticos). As suas exéquias gritaram o contrário disso. Ou que a Igreja vem perdendo fiéis. É possível que sim, mas para ateus isso deveria ser motivo de grande contentamento.

As críticas referem o Papa morto, basicamente, como tendo sido progressista em relação a questões sociais, mas reacionário em relação à doutrina católica, combatendo o divórcio, o aborto, a união de pessoas do mesmo sexo, a união fora do casamento e métodos contraceptivos, como a pílula e a camisinha. Vamos entender aqui progressista como sendo preocupado e, ato contínuo, aplaudamos o Papa. Ser preocupado com as questões sociais é uma qualidade rara nas pessoas que detêm algum poder para mudar um pouco a miséria progressiva que grassa sobre o mundo (Ah, se Jorge Arbusto tivesse um pouco desse sentimento animal).

A oposição ao divórcio, ao aborto, à camisinha etc, é uma questão dogmática da Igreja. Fosse ele favorável a tudo isso e não seria Papa. Ademais, cito como exemplo o maior país católico do mundo: aqui as pessoas desmancham casamentos, abortam, pulam a cerca, usam camisinhas e tomam pílulas. Ninguém liga para o que vem da Cidade do Vaticano nestas questões. [Continua]

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