O misterioso sumiço do cesto de pães [6]
Porto Alegre - 7h24'56": Na TV, o assunto deriva para CPMI, mensalão, holofotes... Não se podia falar em luxúria, a corrupção dos costumes. Não havia corrupção, pelo simples motivo de que esse é o costume desde sempre. Uma lavanderia de dimensões continentais. Lavanderia leva a roupa e à máquina de lavar roupas. Seria muito estranho, mas é assim que os desaparecimentos se resolvem. Nada. Embaixo do sofá, em cima da mesa de jantar, nos guarda-roupas, no freezer, atrás do computador, sobre o scanner, dentro do tanque, na tulha de roupas... Dezenas de visitas frustradas. Regra radical de procurações: o que não tem remédio, acende-se uma vela para o Negrinho do Pastoreio e remediado estará.
Porto Alegre - 7h28'34": Uma caneca de leite espera no microondas. É pegar, sentar, beber, escovar, meia, sapato, casaco e ciao amore. No indo pra sentar, três delas são vistas caminhando orgulhosamente. Apesar de quase invisível a olho nu, formigas doceiras ostentam o orgulho de pertencerem à espécie. Ele é representado na empáfia da bunda empinada para o céu, como o nariz de certos humanos. Seguindo-se as formigas por uma trilha imaginária, chega-se a um pote de geléia de morangos caseira. Contornando-se o pote pelo lado sul, se alcança um terço de forma de queijo de colônia; desviando para leste e quebrando-se imediatamente para o nordeste, como forma de evitar trombar com um vidro de café, se avista o desaparecido. O cesto de pães, quem diria, estava sobre a mesa do café, local onde, nem em sonhos, poderia estar. Santo Negrinho do Pastoreio!
Porto Alegre - 7h29'59": A gravata, onde está a gravata? Não está sobre o paletó, mas estava à mão quando começou a busca do cesto de pães. Indo direto à regra básica de busca, o forninho do fogão era uma possibilidade, mas, também, uma outra história. Agora, era escolher outra gravata e ciao amore.
[Fim]

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