Anjos, demônios e web
Na balada do estrondoso sucesso de vendas do 'Código Da Vinci', foi lançado no Brasil 'Anjos e demônios'. Livros de final-de-ano: aqueles que caem nas nossas mãos, entre uma comemoração e outra. Leitura fácil, úteis nas esperas das férias. Ambas obras têm um bom início e desenvolvimento, mas os finais propostos pelo autor desmerecem o seu esforço para construir a trama. Usando de rigor, pode-se dizer que eles põem o trabalho a perder. De resto, muitas informações. Algumas verdadeiras, outras 'adaptadas' por Dan Brown, para tecer a teia com a qual busca prender o leitor. Dentre elas, uma se destaca, não por relevante, mas por contradizer o senso comum: o CERN - Conseil Européen pour la Recherche Nucléaire, maior laboratório de física de partículas do mundo e ponto de partida de 'Anjos e demônios', reivindica para si a criação da World Wide Web, contrariando o que pensam muitas pessoas. O CERN (que passeia pelo subsolo da França, mas tem a porta de entrada em Meyrin, na Suíça) não deixa margem para discussões em seu site. Na página principal, a frase: "... where the web was born!" O ano? 1989. Um pouco de pesquisa e voilà... um link para o pai: Tim Berners-Lee. Na página 28 do livro, o personagem que encarna a figura de diretor-geral do laboratório extrapola: "A Internet começou aqui, como uma rede interna de computadores. Permitia a cientistas de diferentes departamentos partilhar as descobertas diárias uns dos outros. É claro, o mundo inteiro imagina que a Internet é tecnologia norte-americana." A World Wide Web não é a Internet, como fez questão de registrar um ilustre anestesista. Curioso que um americano divulgue a desinformação através de um best-seller, jogando dúvidas sobre uma paternidade que orgulha tanto os sobrinhos do tio Sam.

1 Virações:
Olha, leve em conta que já teve revista de informática falando uma besteira dessas e dá para entender por que o Dan Brown deu uma bola fora dessas...
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Anônimo, at 12:31 AM
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