Blog-dos-ventos

quinta-feira, março 31, 2005

Fragmento [7]



"Quero pesar feito cruz nas tuas costas
Que te retalha em postas
Mas no fundo gostas
Quando a noite vem
Quero ser a cicatriz risonha e corrosiva
Marcada a frio, a ferro e fogo
Em carne viva".
[Chico Buarque e Ruy Guerra - Tatuagem]

segunda-feira, março 28, 2005

Tempo


Esencia del tiempo, por Salvador Dalí

Quando o tempo e o vento se digladiaram,
o tempo, calado, fingiu inflar.
E, silenciosamente, simulou enfunar, até implodir.
O tempo! É quase sempre ele.
Novos posts do Blog-dos-ventos estarão aqui, sempre que possível.

domingo, março 27, 2005

Cartão de Páscoa

Recebi um cartão de Páscoa que diz: "Desejo que todos nós iniciemos nossa busca por este ideal, deixando que a Páscoa seja mais que o símbolo de um dia e se transforme numa forma de vida para toda humanidade." Até gostei da idéia, mas logo percebi que é inviável: as fábricas de chocolate não dariam conta de produzir o necessário para perenizar o festejo.

sábado, março 26, 2005

Frases

"Mozart é fácil demais para principiantes, difícil demais para especialistas." [Vladimir Horowitz]

quarta-feira, março 23, 2005

Paulo, the rabbit



Editado, já na largada, em quarenta e seis línguas, tiragem inicial de 8.000.000 de exemplares, O Zahir, o novo livro de Paulo Coelho chega às livrarias. Capa das principais revistas nacionais, o autor causa desconforto entre os que não gostam do sucesso alheio. Montado em recordes na indústria editorial nacional, PC deve estar muito preocupado com o ranger de dentes. Àqueles que não se importam com o sucesso, mas desgostam do estilo do autor, a opção, se for o caso, é comprar um exemplar alienígena. Há quem diga que as versões traduzidas são bem melhores que a original.

terça-feira, março 22, 2005

Uma e outra do Livro dos Erros [4]

Uma:
No verão, os argentinos invadem as praias brasileiras. O escritor gaúcho Moacyr Scliar, num hotel da praia dos Ingleses, em Florianópolis, não agüentava mais o portunhol do garçom no café da manhã. Sugeriu que ele falasse em português, por favor. Mas ele não podia:
- Es que soy argentino.

Outra:
Em Londres, a encenação de Aída, de Verdi, estava um fiasco. Para completar, um camelo fez cocô em pleno palco. Sir Thomas Beecham, que dirigia a orquestra, comentou depois:
- O gesto é vulgar, mas que crítico de ópera!

[Do Livro dos Erros - Por Mário Goulart]

segunda-feira, março 21, 2005

A Era do Logro [Bônus]

...
- Tubarão? Putz, esse filme é antigo.
[Corta]
- Tenho que fazer uma análise crítica.
- Sobre?
- Max Weber, Taylor e Fayol.
- Boa sorte!
[Corta]
- Seis dedos? Foi desmentido. Parece que era montagem.
- Verdade?
- É.
[Corta]
- Como é o nome mesmo?
- Blog-dos-ventos.
- Diz aí pra eu vou anotar.
- Mando por e-mail.
- OK. O que tem lá?
- De tudo um pouco.
- De tudo?
- É.
- Pode ter um post falando de tubarão, Weber e Daniela Cicarelli?
- Depende do vento.
[Fim]

Gincana Google [2]

Pesquisa no Google. Palavras com 5 letras ou mais:

1) 200.000.000 ocorrências - 0,08 segundos - "house"
2) 183.000.000 ocorrências - 0,09 segundos - "money"
3) 148.000.000 ocorrências - 0,09 segundos - "windows"
4) 131.000.000 ocorrências - 0,56 segundos - "water"
5) 127.000.000 ocorrências - 0,07 segundos - "light"
6) 111.000.000 ocorrências - 0,24 segundos - "microsoft"
7) 98.600.000 ocorrências - 0,12 segundos - "linux"

Gincana Google [1]

Pesquisa no Google. Palavras com qualquer número de letras:

1) 4.830.000.000 ocorrências - 0,10 segundos - "www"
2) 3.030.000.000 ocorrências - 0,09 segundos - "a"
3) 2.730.000.000 ocorrências - 0,11 segundos - "and"
4) 1.550.000.000 ocorrências - 0,12 segundos - "at"

Palavras com 4 letras:

1) 2.030.000.000 ocorrências - 0,07 segundos - "home"
2) 885.000.000 ocorrências - 0,14 segundos - "http"
3) 824.000.000 ocorrências - 0,16 segundos - "help"
4) 718.000.000 ocorrências - 0,12 segundos - "time"
5) 168.000.000 ocorrências - 0,09 segundos - "love"
6) 127.000.000 ocorrências - 0,05 segundos - "word"
7) 114.000.000 ocorrências - 0,13 segundos - "blog"

domingo, março 20, 2005

Busca

O MSN Search já descobriu o Blog-dos-Ventos.
O Google também.
E o Altavista.

A Era do Logro [Final]



A história desta seqüência de fotos é antiga (2002) e contada pela National Geographic Brasil. Serve apenas para ilustar a Era do Logro a que me refiro. No Brasil, para ficar na área de crônicas, Luis Fernando Veríssimo é alvo favorito dos desinformantes. Falsas crônicas, algumas de muito mau gosto, são atribuídas a ele e entopem blogs e caixas postais. "A crônica da loucura" é às vezes do LFV, às vezes do Mario Prata. Depende do gosto do remetente. Desconfio que seja de nenhum deles, já que não é o estilo do LFV e na página do Mario não existe aquele texto. E aí, onde acaba esta novela? Logo ali. Já estamos chegando.

Aconteceu de eu ter lido outro dia que a Daniela Cicarelli tinha 6 dedos nos pés. Depois, disseram que era "maquiagem" feita com o Photoshop. A notícia me transportou anos para trás, um tempo no qual a Internet era, talvez, um devaneio. O nosso monitor preferido era um poster numa parede de oficina. A gente ficava olhando um tempão e nem se importava se Pirelli era mesmo mais pneu. Só queria espiar a moça coberta, da cabeça ao chão, com uma tanga azul. Aquela sim tinha seis dedos nos pés. Sem logro, juro que tinha. Eu mesmo contei e, naquela época, não existia Photoshop. Mas quem dava bola? Se até o padre dizia: "Ninguém é perfeito", quem éramos nós pra não perdoar os 22 dedos da Rose di Primo? [Fim]

GMail: início do declínio?

Eu deveria ter desconfiado. Quando o número de convites disponíveis na minha conta do GMail não baixava de 50, tinha que dar nisso. O servidor passou o sábado todo engasgando.

sábado, março 19, 2005

A Era do Logro [II]



"When the moon is in the Seventh House
And Jupiter aligns with Mars
Then peace will guide the planets
And love will steer the stars
This is the dawning of the age of Aquarius."
[Aquarius]

Em 04 de fevereiro de 1962, nada menos do que sete corpos celestes encontravam-se na casa de Aquário: Sol, Lua, Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno. O fenômeno, conhecido como stellium, deu início ao que chamam de Era de Aquário ou Nova Era. Quem acredita, atribui às forças aquarianas o poder de provocar grandes mudanças mentais e espirituais nos seres humanos. O movimento hippie, a preocupação com a ecologia, a contra-cultura, a ida do homem à Lua, são citados como sinais da Nova Era. Também o surgimento dos primeiros computadores (os velhos "cérebros eletrônicos"), bem como a Internet, são lançados na conta da explosão criativa iniciada com a conjunção de Aquários.

A multiplicação da capacidade de armazenamento, análise e processamento de dados pelo homem, proveniente do uso de computadores, culminou com um novo nascimento: o da Era da Informação. Informação foi associada a poder. Aqui, não posso deixar de abrir um parênteses para falar, novamente, do velho professor. Em seu livro Anatomia do Poder (1984), J. K. Galbraith faz um passeio pelas fontes de poder. Tal qual Max Weber, passou pelo patrimonialismo e pela liderança carismática, antes de desaguar no que ele chamou A Era da Organização. Algo semelhante e algo diverso da burocracia descrita por Weber. Boa leitura, muito boa leitura. Fecha parênteses. Voltemos à Era da Informação.

Nunca na história da humanidade tantas pessoas tiveram tanto acesso a tanta informação. Mas, também, nunca na história da humanidade tantas pessoas tiveram tanto acesso a tanta desinformação.

Internet + Imagens + Imaginação + Editoração = Desinformação.
Internet + Imaginação + Intenção de enganar = Desinformação.

Equações exponenciais. A Era da Informação trouxe em sua mochila o germe do logro. Certo que as pessoas, muito antes de P. T. Barnum, e talvez desde sempre, mostram um certo gosto por serem enganadas. Mas a escala com que a fraude se oferece como verdade nos dias de hoje é algo espetacular. [Continua]

Pensavento [4]

Disparates são verdades distraídas.

sexta-feira, março 18, 2005

A Era do Logro [I]



Em 1973, o professor e economista americano John Kenneth Galbraith recebeu um convite da BBC de Londres para realizar uma série de programas de televisão, tratando da evolução das idéias econômicas e sociais do velho planeta Terra. A versão em vídeo só existe para quem gravou da TV na época, mas o livro A Era da Incerteza, que serviu de roteiro para a série, pode ser encontrado em livrarias. É a leitura certa para quem deseja passear pelo mundo da economia, sem o risco de perder-se em labirintos teóricos. De quebra, o leitor leva pra casa um estoque de tiradas de Galbraith, que sabe como ninguém ironizar a história do mundo.

As incertezas econômicas de hoje não são, por certo, menores do que as da década de 70, quando o documentário estreou em Londres. O muro de Berlim foi fragmentado, a União Soviética esfarelou-se, mas "the uncertainty" é um espectro que permanece. Corroída por um desequilíbrio monumental, no qual meia dúzia de países consomem metade dos recursos energéticos disponíveis, a economia do planetinha azul vive uma paranóia incurável. Um espirro em Washington pode ocasionar uma pneumonia dupla em todo o hemisfério sul. Mas não foi isso que me fez lembrar do professor. Foi quando imaginei estarmos vivendo a Era das Eras que olhei para a estante onde o livro repousa. Não quero dizer com isso que o tempo que ora flui tenha importância relativa maior na cronologia da vida, ainda que um surto de megalomania possa nos fazer pensar o contrário. A Era das Eras é feita pela multiplicidade de momentos marcantes que vivemos. Um deles é particularmente contraditório e inquietante. [Continua]

Sobre o Livro dos Erros

Conforme alertei em resposta a comment de leitor do Blog-dos-Ventos, estou publicando apenas as histórias mornas do Livro dos Erros. Quem quiser ler as quentes, vai ter que comprar o livro.

quinta-feira, março 17, 2005

Uma e outra do Livro dos Erros [3]

Uma:
No almoço de escritores, Jules Simon estava falando quando Ernest Renan fez um sinal com as mãos.
- Um momento só - pediu a dona da casa. - Deixe o Simon terminar.
Ao final da fala de Simon, ela dirigiu-se ao Renan:
- Muito bem, meu caro. Escutaremos agora, com o maior interesse, o que tinha a dizer.
- Eu? - surpreendeu-se o filósofo. - Mas eu só queria que me passassem o sal...

Outra:
Alain Delon reclamava muito do diretor Luchino Visconti, que tratava seus atores "como cavalos". Visconti aceitou as críticas e contou que, na juventude, até chegou a dirigir um haras.
- Só que os cavalos obedeciam - ressaltou.

[Do Livro dos Erros - Por Mário Goulart]

quarta-feira, março 16, 2005

Do além


Brioches

Na Poanet, antiga lista de discussão que explodiu de tanto discutir,
falava-se sobre a violência em São Paulo, que tornava perigoso ir à rua. Um participante queixou-se:
- Em São Paulo não se pode sair de casa nem para comprar pão.
Maria Antonieta, muito penalizada, enviou mensagem que foi psicografada:
- Se não podes sair para comprar pão, sai para comprar brioches.

terça-feira, março 15, 2005

Arco-íris


Autor desconhecido

segunda-feira, março 14, 2005

Idéias



Ele ainda está lá, olhando a cidade do alto. É estranho. Para um limoeiro, é mesmo extraordinário ver a cidade de uma cobertura. Talvez suas folhas amareladas sejam um grito de protesto ou revolta contra a velhice precoce. Houve um tempo próximo no qual festejou o vigor da vida com dezenas de promessas. Então, um após outro, os pequenos frutos em formação foram caindo até restar apenas uma solitária esperança de celebração. Quando o vi e vi o filho exposto em seu útero externo, não pude deixar de pensar que idéias são um pouco como limões na cobertura: a safra cheia vai sucumbindo aos humores, aos rigores, à crítica... até restarem muito poucas. Às vezes, uma apenas. E essa fica a nos mirar nos olhos, com o desconforto impresso na face, como uma súplica: "Tira-me daqui antes que a gravidade humana me arraste para o cimento frio, do qual não poderei renascer!" Idéias devem ser protegidas, devem ser cuidadas ainda mais do que limoeiros de cobertura.

Fragmento [6]

"Não era mais o mesmo
Mas estava em seu lugar.
Sempre estar lá,
E ver ele voltar,
O tolo teme a noite
como a noite vai temer o fogo,
Vou chorar sem medo,
Vou lembrar do tempo,
De onde eu via o mundo azul."

[O astronauta de mármore - Nenhum de nós (versão para Starman, de David Bowie)]

sábado, março 12, 2005

Teatro grego

Passo adiante como me contaram: Ésquilo, o criador da tragédia grega, morreu esmagado por uma tartaruga, que uma águia deixou cair sobre a sua cabeça. Uma tragédia. Eu não acreditei, mas nem disse nada. Vai que Aristófanes ficasse incomodado e me botasse pra fazer o papel do bobo.

sexta-feira, março 11, 2005

Innsbruck


Foto: Roman

Uma e outra do Livro dos Erros [2]

Uma:
A poeta americana Elizabeth Bishop, que viveu no Brasil nos anos 50, saiu nos jornais brasileiros após ganhar o Prêmio Pulitzer. Na feira, o dono de uma barraca a reconheceu:
- Não foi a senhora que apareceu no jornal ganhando um prêmio?
Bishop disse que sim e o vendedor:
- Eu dou muita sorte às minhas freguesas. Outro dia uma delas ganhou uma enceradeira numa rifa.
Noutro dia, ouviu de um dono de bar:
- Minha mulher também é famosa. Ela ganhou o prêmio da melhor empadinha de Teresópolis.

Outra:
O escritor Erico Verissimo, em Solo de Clarineta 2:
"Vale a pena dar uma nova chance à raça humana. O homem é um ser pitoresco demais para ser completamente extinto."

[Do Livro dos Erros - Por Mário Goulart]

quinta-feira, março 10, 2005

O número seis

No livro Management and Machiavelli, Antony Jay conta uma história sobre uma demonstração da Real Artilharia, em Salisbury Plain, na década de 50. Um dos espectadores perguntou qual a função do homem que permanecia em posição de sentido durante todo o período da demonstração.
- É o número seis - explicou o ajudante
- Sim, mas por que ele está ali?
- É sua função. O número seis fica em posição de sentido durante todo o tempo.
- Mas, então, por que não usar apenas cinco pessoas?
Ninguém sabia. Após pesquisa em velhos manuais de treinamento, descobriu-se afinal a sua função: segurar os cavalos, evitando que fugissem com o barulho dos tiros. A RA já era toda motorizada, mas ainda fazia uso do "número seis".

A essa altura da história, não serão os governos estaduais, e todas as estruturas que os rodeiam, típicos "números seis"? Será que não bastam, pra começar, o governo federal e os governos municipais? Alguém aí tem um manual velho?

quarta-feira, março 09, 2005

Uma e outra do Livro dos Erros [1]

Uma:
Blecaute iria cantar na televisão o samba Olga. Um problema, pois ele pronunciava sempre "Orga". Ensaiou com o diretor do programa até conseguir dizer o nome certo. Na hora da apresentação, conta Nestor de Holanda, o pessoal torcendo angustiado, Blecaute começou:
Olga! Oh, Olga!
Respiraram aliviados. E Blecaute continuou:
Estou de forga...

Outra:
O roqueiro americano Paul Simon, na Bahia, marcou encontro com o grupo Olodum. Apareceu com o produtor Mazzola, que anunciou:
- Pessoal, este aqui é o Paul Simon.
Um dos integrantes do grupo perguntou:
- O Paul Simon nós já conhecemos. E você, quem é?

[Do Livro dos Erros - Por Mário Goulart]

terça-feira, março 08, 2005

Fragmento [5]


Foto: art photografic

"Quem madruga sempre encontra
Januária na janela.
Mesmo o sol quando desponta
logo aponta os lados dela.
Ela faz que não dá conta
de sua graça tão singela.
O pessoal se desaponta:
vai pro mar, levanta vela".
[Chico Buarque - Januária]
Pequena homenagem ao Dia

segunda-feira, março 07, 2005

Em busca do gral


Foto: A. Guerreiro

Sempre desconfiei ser verdade: oitenta e oito vírgula quarenta e três por cento das pessoas que defendem uma tese baseada em coleta de dados já têm as conclusões prontas antes de iniciarem o trabalho. Tudo que fazem é jogar-se com sofreguidão na busca dos dados que as confirmem. Em prazos extremos, podem chegar a torturá-los, até eles confessarem a inferência. Lembrei disso quando conheci uma história que ilustra muito bem a forma como a estatística pode ser utilizada de forma maliciosa. Um professor da matéria, para demonstrar essa possibilidade de manipulação, enviou 1.000 formulários para pessoas escolhidas aleatoriamente. Eles continham uma única pergunta: "Você costuma responder todos os questionários que lhe são enviados pelo correio?" Recebeu um retorno de 58 formulários. Desses, 56 continham um sim, costumavam responder todos. Inferência marota: 96,55% das pessoas (56 de 58) respondiam a todos os questionários que lhes caíam nas mãos. Os 942 que não voltaram foram providencialmente "esquecidos".

domingo, março 06, 2005

Afetividade mecanizada



Continuamos a viver com pressa. Ainda mais do que antes, pois time is still money. Mais e em escalas crescentes. Isso não chega a ser novidade, a não ser por um episódio do qual falarei adiante. Preciso contar antes de um conhecido do qual se dizia ser "marqueteiro", porque costumava ligar, não só para os amigos, mas para conhecidos e principais clientes, felicitando-os no dia do aniversário. Certa vez, uma secretária recém-chegada perguntou-lhe se queria que ela fizesse as ligações. Ouvi-o dizer: "Eu mesmo faço. Não vou deixar as pessoas esperando passares a ligação. É aniversário delas e seria uma descortesia". Ainda que pudesse ser uma atitude de marketing pessoal, havia um claro componente humano a legitimar a ação. Ele estava gastando o seu próprio money, ligando para elas com o próprio dedo.

Falemos agora do episódio citado. Subitamente, comecei a receber emails de conhecidos solicitando que informe a minha data de nascimento, em um serviço de birthday alarm. Provavelmente, no dia do meu aniversário, em um lugar qualquer do planeta, uma máquina iria disparar um punhado de ecards para a minha caixa postal. Mecanização do apreço, estão robotizando o afeto que se encerra em nosso peito pré-senil. Fui lá, olhei e informei: February, 30. A máquina aceitou. Não sei o que vai acontecer no engenho do servidor mas, no dia do meu aniversário, minha caixa postal vai continuar a receber apenas emails de humanos.

sábado, março 05, 2005

Fire, amico?

O que vê o cowboy amigo? Seu umbigo.
Vou chegando ao seu quartiere: empertigo.
Vejo um vulto na finestra: um perigo.
Dedicou-me seu affetto: eu desligo.

sexta-feira, março 04, 2005

*8486

Minutos depois...
- Eu quero saber por que o meu pedido de alteração de plano de acesso, protocolo 38718093, feito em 17 de novembro, portanto há quase 4 meses, ainda não foi atendido.
- Um minuto, por favor, vou estar verificando.
[Pausa]
- Senhor, realmente consta o pedido. Vou estar passando a sua ocorrência para o setor operacional.
- Isso eu já ouvi das outras vezes e não aconteceu nada.
- Senhor, este é o procedimento de rotina. Eles vão estar providenciando a alteração.
- Tem certeza?
- Senhor, registrei a sua reclamação. Em, no máximo, 5 dias um dos nossos representantes vai estar ligando para confirmar a mudança.
- Duvido.
- Algo mais, senhor?
- Não, obrigado.
- A Vivo agradece a sua ligação e tenha uma boa noite.
- Vou estar tendo, quando vocês atenderem o meu pedido. Boa noite.

Automedicação

Ô Doutor,
dê um nó na morte:
quero ser diferenciado,
viver sempre e lindo e forte,
ser um auto-replicado.

Ô Doutor,
o senhor é inteligente,
mande o Alzheimer pras pitangas,
co'a dose totipotente,
que tem guardada na manga.

Ô Doutor,
Parkinsonismo já era.
Quero controle neural,
com precisão de pantera,
nada de tremor letal.

Ô Doutor,
receite logo esse açoite.
Dito e nem peço desconto:
"de manhã, à tarde, à noite,
gotas de células-tronco."

quinta-feira, março 03, 2005

Mercado de blogs



Estava trocando impressões sobre blogs com um amigo. Aí, ele escreveu que "blog funciona como aquele armazém em que a gente vai certo de encontrar o que quer na hora de sempre. Se às vezes está fechado, a gente troca por outro". Nessa altura, olhei as prateleiras do meu mercadinho. Depois, ergui os olhos e vi um mar de supermercados e shoppings em volta. Rapaz, deveria existir uma lei de proteção aos blogs em desenvolvimento!

Pensavento [3]

Nada como testículos para encher o saco.

Fragmento [4]

"Não tenho dinheiro pra pagar a minha ioga
Não tenho dinheiro pra bancar a minha droga
Eu não tenho renda pra descolar a merenda
Cansei de ser duro vou botar minh'alma à venda
Eu não tenho grana pra sair com o meu broto
Eu não compro roupa por isso que eu ando roto
Nada vem de graça nem o pão nem a cachaça
Quero ser o caçador, ando cansado de ser caça"
[Zeca Baleiro - Babylon]

quarta-feira, março 02, 2005

"Axis of evil"



Falando sobre si mesmo, o Worldwatch Institute diz: "Founded by Lester Brown in 1974, the Worldwatch Institute offers a unique blend of interdisciplinary research, global focus, and accessible writing that has made it a leading source of information on the interactions among key environmental, social, and economic trends. Our work revolves around the transition to an environmentally sustainable and socially just society—and how to achieve it." A organização criou o que chama de medidor de sinais vitais da Terra. O relatório sobre o ano de 2003 deu destaque para: 1) a cada ano, as doenças infecciosas matam duas vezes mais pessoas no mundo do que o câncer; 2) aproximadamente um quarto das últimas 50 guerras e conflitos armados do mundo, envolveram esforços para controlar recursos naturais; 3) a fonte de energia de maior expansão é a energia eólica, com uma taxa de crescimento médio anual de 33% entre 1998 e 2002; 4) com menos de 5% da população mundial, os Estados Unidos usam 26% do petróleo, 25% do carvão e 27% do gás natural. Uma matéria de janeiro deste ano mira o que constitui, na sua opinião, o verdadeiro "eixo do mal" a ser combatido: pobreza, doenças e degradação ambiental. "Axis of evil" é uma expressão utilizada na Casa Branca para referir os inimigos eleitos pela classe do baby Bush. Há em Washington quem pensa diferente. Precisamos visitar a Teoria dos Conjuntos e reabrir a grande questão a ser respondida: a economia está contida no meio-ambiente ou o meio-ambiente está contido na economia? Talvez a deterioração das condições de vida no planeta leve algumas pessoas a reverem a sua resposta. Talvez. Kyoto é uma chance que está passando.

terça-feira, março 01, 2005

Lista de compras

.Sorvete de creme
.Chocolate Hershey's (ao leite cremoso)
.Biscoitos amanteigados
.Leite Moça (3 latas)
.Abacate
.Castanha de caju
.Guaraná Diet

Mistério



É mesmo inexplicável o porquê de ele conseguir resistir ao tempo. A gente ainda nem está bem alojada e já nota a presença. O telefone na cabeceira, a televisão, o aparelho de ar-condicionado, o frigobar, todos estão integrados, cabem no cenário sem reparos. Ele não, fica ali desafiando a lógica. Muitas vezes tenho a tentação de apanhá-lo e colocar na mala, retocar a cena, tornar a realidade mais verossímil. Sim, ele é uma intromissão no século XXI, feito de satélites, celulares e mails. Um resíduo do passado, posto como uma cunha irredutível no presente. A que será que se destina os quartos de hotel ainda oferecerem papel de carta?